Sabedoria Camponesa

O protagonista conversa com um camponês de 103 anos:

– Não tem eletricidade aqui?
– Não precisamos dela. As pessoas se acostumam com a conveniência, acham que a conveniência é melhor. Jogam fora o que é realmente bom.
– Mas, e a iluminação?
– Temos velas e óleo de linhaça.
– Mas a noite é tão escura…
– Sim. A noite tem de ser assim… Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite. (…) Tentamos viver do modo como o homem vivia antigamente. É o modo natural de viver. Hoje em dia, as pessoas se esquecem de que elas são parte da natureza. Destroem a natureza da qual nossa vida depende. Acham que sempre podem criar algo melhor. Sobretudo os cientistas. Eles podem ser inteligentes, mas a maioria não entende o coração da natureza. Eles só criam coisas que acabam tornando as pessoas infelizes. Mesmo assim, orgulham-se tanto de suas invenções. E, o que é pior, a maioria das pessoas também se orgulha. Elas as vêem como milagres. Idolatram-nas. Elas não sabem, mas estão perdendo a natureza. Não percebem que vão morrer. As coisas mais importantes para os seres humanos são o ar limpo e a água limpa e as árvores e as plantas. Tudo está sendo sujado, poluído para sempre. Ar sujo, água suja, sujando o coração dos homens.

Akira Kurosawa
Img: “Sower with Setting Sun”, Vincent Van Gogh 

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Sobre Daniel Leite

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